Entrevistas

9 - “André Rieu, sempre em viagem"

Ao jornal holandês De Kampioen - abril de 2002

Tradução: Sonja Harper/MérciaCosac

Nome: André Leon Nicolas Rieu

Profissão: músico

Estado civil: casado com Marjorie

Filhos: dois filhos - Marc e Pierre

Local favorito para férias: em casa

Automóvel: Mercedes 600

O violinista André Rieu, em seus concertos, toca com um Stradivarius do século 17; ele se apresenta de 100 a 120 vezes ao ano e está continuamente em viagem com o seu valioso violino.

Qual é o valor do seu Stradivarius?

Muito!

Não tem medo de que ele seja roubado?

Sim; e portanto trago seguranças comigo, que cuidam do meu violino.

Não é um exagero?

Não; é uma necessidade fundamental. A Holanda ainda é um país razoavelmente seguro, mas não me fale do sul da França. Em Marselha, se você não tomar cuidado, eles levam até a sua roupa, e na América, é até pior.

Em que países tem se apresentado?

Em todos os países da Europa Ocidental, nos Estados Unidos e no Japão.

Que meio de transporte utiliza quando viaja com sua orquestra?

Quando viajamos por mais de 450 km, vamos de avião; para pequenas distâncias utilizamos os nossos ônibus especialmente fabricados por encomenda para as turnês, também conhecidos como "Strauss-mobiles".

Conseqüentemente, vocês viajam por horas, desconfortavelmente, em um ônibus?

Sim; mas não é tão ruim como parece. Eles têm assentos extremamente confortáveis. Quando recostados, não apenas os encostos dos bancos são reclináveis, mas também os assentos. Assim, não se tem a sensação de estar continuamente escorregando para fora dos bancos. Eles se ajustam perfeitamente ao corpo.

Chegam descansados?

Bem, não exatamente; sempre há algum cansaço. Viajar de ônibus por quatro, a quatro horas e meia...

Que fazem para chegar ao destino em forma? Fazem exercícios?

Não, nós o fazemos somente pela manhã. Temos um ônibus equipado com aparelhos de ginástica conosco, que fica estacionado junto ao hotel em que nos hospedamos, de forma que todos que quiserem podem se exercitar.

Isso é bastante extravagante!

Não penso assim. Quero que meu pessoal esteja sempre saudável. Por essa razão, nós preparamos também nossa própria comida.

Para evitar algum alimento que não seja saudável?

Exatamente. A equipe responsável cuida para que seja uma alimentação saudável. E nós nos alimentamos em nossos ônibus.

Que aconteceu antes que fosse assim?

Costumávamos comer em restaurantes. Mas, não importando onde estivéssemos, o cozinheiro-chefe sempre pensava: André Rieu? Vamos surpreendê-lo com um "schnitzel" vienense! Chegou um momento em que não podíamos nem ver mais "schnitzels" pela frente. Mas o principal motivo pelo qual nós agora preparamos nossa própria alimentação é que toda a nossa orquestra ficou doente após comermos alimentos estragados.

Vocês se apresentaram mesmo assim?

Sim; apesar das cólicas intestinais e diarréia. Aquilo foi bastante constrangedor.

Você também possui dois aviões...

Sim; um jato Citation, para 8 passageiros, e um Fokker 27 para 50 passageiros. Uso o Citation quando tenho de viajar a Paris ou Hamburgo, para fins promocionais. Usamos o Fokker quando viajamos com toda a orquestra.

Há dois anos atrás, você foi condenado a pagar uma multa de 2500 guilders (1250 dólares) e a três meses de suspensão de sua Carteira de Motorista porque foi apanhado dirigindo a 230 km/h. A mídia fez um grande estardalhaço. Você pensa que foi justo?

Infelizmente, quando você é uma celebridade na Holanda, as pessoas tentam logo te prejudicar; mas esse é o trabalho deles.

Porque você dirigia tão depressa?

A auto-estrada estava completamente deserta: então pensei que, sendo assim, deveria ser permitido.

Na próxima vez você perderá sua Carteira de Motorista?

Por isso atualmente deixo que alguém dirija por mim. Não fico irritado somente com os limites de velocidade. Em nenhum lugar em nosso país, pode-se dirigir sossegado. Estou convencido de que há alguém em Haia com um compasso, cuja única tarefa é colocar tantos balões e sinais de tráfico quanto possível. Quando descobre 100 metros de uma rodovia sem nenhum obstáculo, ele os inventa.

Seus fãs estão acostumados com a música alegre de Strauss, mas no seu último CD, "Dreaming", a sua música é mais melancólica, quase triste.

Sim; gosto de surpreender meus fãs. Eles já conhecem a minha música alegre; e agora vão conhecer um André Rieu que não traz outra coisa que não seja música para fazer chorar.

Há uma faixa neste CD, que pode, no futuro, ser tocada em seu funeral?

Não; prefiro que seja uma valsa bem alegre.