Entrevistas

7 – Uma pequena entrevista

(não há informação sobre o título desta entrevista)

Tradução: Sonja Harper/MérciaCosac

Nota de Sonja: Encontrei esta entrevista na Internet; não havia informação sobre a data em que foi realizada, mas penso que deve ter sido em fins de novembro ou início de dezembro de 2001.

“André Rieu não parece um nome holandês. É seu nome real?

Sim, minha mãe rastreou a história de nossa família até o Século 18. Meus ancestrais aparentemente vieram da região de "Avergne", na França. Provavelmente um dos meus antepassados pertencia ao exército de Napoleão, que encontrou uma linda garota na Holanda... e ficou.

Como pode um holandês executar as valsas de Johann Strauss, e fazê-las soarem tão vienenses, fazendo crer que o "Rei da Valsa", em pessoa, retornou à vida?

Os pais de minha esposa, que eram judeus, fugiram dos nazistas em 1936, vindos de Berlim para Maastricht. Eles não tiveram tempo de trazer muita coisa consigo, mas na bagagem do meu sogro estavam diversas gravações antigas em um gramofone. Minha esposa Marjorie as tocava para mim, e ao ouvir "Sportpalast-Waltzer" pela primeira vez, eu soube que aquele era o tipo de música que eu queria fazer, e a meu modo, continuar com ele.

Se tivesse acompanhado o desejo de sua esposa, hoje você seria um pizzaiolo.

Quando eu a encontrei, era um músico romântico, mas muito pobre. A parte "pobre", é que minha esposa queria mudar. Então, tivemos a idéia de abrir a pizzaria. Marjorie venderia as pizzas e eu tocaria o violino para os fregueses. Já tínhamos, inclusive, alugado um local para isso, mas, por sorte, as coisas tomaram um rumo bem diferente.

Você já vendeu 14 milhões de CDs em todo o mundo; vive em um castelo; voa em seu próprio jato para realizar os seus concertos. A sua fama também tem um lado negativo?

Minha esposa e eu somos penalizados por termos ambos trabalhado tão duramente, pois vivemos separados durante a metade do ano. O tempo em que fico ao lado da minha família, é agora, o meu maior luxo, e o meu maior tesouro.

Que podemos esperar em Zurich, durante a sua turnê de inverno?

Apresentaremos a primeira valsa que compus há alguns anos atrás. E também algumas músicas do meu mais recente CD; e naturalmente, músicas natalinas. Teremos também três músicos russos, que tocam nas ruas, os quais eu, acidentalmente, descobri.

Fale-nos sobre essa descoberta.

Foi em um dia de inverno, com muita neve, há alguns anos atrás. Eu andava pelas ruas em Maastricht, minha cidade natal, quando ouvi uma música fascinante. Eram os três músicos russos tocando em plena rua. Eles tocavam "Kalinka" e "Dr Zchivago". No momento em que eu ia falar com eles, desapareceram. Provavelmente pensaram que eu era da KGB. (risos). Exatamente um ano depois, eles estavam lá tocando novamente, e desta vez, tive êxito para falar com eles. Desde então estamos trabalhando juntos.

O Natal está chegando. Como você o celebra?

Em casa, com minha família, em Maastricht. Temos uma tradição muito agradável: nossos filhos sempre vão para a cozinha na noite de Natal. No começo preparavam algo muito simples, mas hoje, Graças a Deus, eles estão em condições de concorrer com excelentes "chefs".

Seu novo CD tem o título " La Vie est Belle"; o que, para você torna a vida bela?

Estou com a idade de 52 anos, e quando olho para trás em minha vida, posso dizer: "Sim, a vida é bela". Para mim, uma vida maravilhosa não significa somente praia e uma vida adorável, pois melancolia e tristeza também fazem parte dela, assim como das valsas.

Você tocará com seu Stradivarius?

Sim, com certeza; é um violino maravilhoso. O mestre estava apaixonado quando o construiu. Yehudi Menuhin tinha a opinião de que Stradivarius era o mestre possuidor de uma rara habilidade. Para mim, o violino é como uma namorada; alguém que, se você tratar com muita sensibilidade, se entregará por inteiro.”