Entrevistas

34 - "André Rieu em um Talk-Show"

Na TV holandesa RTL 4, em 05 de maio de 2006.

Tradução: Ineke Cornelissen/Sonja Harper/MérciaCosac

André Rieu chegou ao estúdio do canal RTL 4, em Hilversum, vindo de Maastricht, de helicóptero; nas chamadas para o programa, o helicóptero com André a bordo era visto no ar, mas ainda sem ter anunciado o seu nome como o do misterioso convidado para aquele Talk-Show.

Vestia um terno escuro, com a pequena condecoração de "Cavaleiro na Ordem do Leão dos Países Baixos" ao peito, e gravata na cor laranja, a cor da família real holandesa; o apresentador do programa é Albert Verlinden.

“Nosso primeiro convidado é um grande astro internacional; quando eu estava em Nova York, no último verão, vi o anúncio de seu concerto: "21 de maio, André Rieu no Radio City Music Hall, em Nova York!". E hoje, ele está aqui.

Senhoras e Senhores... André Rieu!

André, creio que você está conquistando os Estados Unidos!

Sim; e é isso o que eu quero. E, a cada ano, o fazemos melhor.

Você já está trabalhando para isso há algum tempo, porém agora há grandes notícias. Você está se expandindo por lá.

Sim, vamos abrir um escritório em Nova York.

E isto é necessário?

Tudo vai indo muito bem, mas você sabe, os americanos têm uma maneira um tanto peculiar de te dar atenção. Se você está sempre em contato com eles, está tudo perfeito; você é o queridinho e o docinho de côco. Mas, tão logo você vira as costas (voltando para a Europa), eles simplesmente te esquecem. É o "American way of life". Eles têm uma vida diária muito corrida, além de terem outros afazeres. Temos de acostumarmo-nos ao estilo de vida deles. Eu converso com uma pessoa num dia; no outro, ela já nem se lembra mais quem sou eu...

Você consegue administrar isso?

Tive que acostumar-me; no começo foi difícil. Pensar que ontem eu falei com ele, e agora ele não se lembra mais de mim.... Mas, oh, bem; você se acostuma.

Você entrou no mundo dos grandes negócios; vamos ver o que está fazendo nos EUA.

(Apresentam um video clip, com imagens de Nova York, a Estátua da Liberdade, os ônibus e uma faixa; Dan, um fã americano, é o homem com a faixa: "André para presidente, em 2008!".

No clip André diz:" Vocês sabem, Nova York foi fundada pelos holandeses..., e finalmente, nós estamos de volta", e então, ele toca o Hino Nacional).

Puxa, isso é uma coisa muito grande e bombástica. Você já absorveu toda essa grandiosidade?

Os EUA são um país muito grande. Você tem de pensar grande também. Se não puder ser assim, nem pense em ir lá. As distâncias são enormes. Não se comparam com as da Holanda. Nos EUA, você perde duas horas para qualquer coisa, e temos de nos adaptar. Então, comprei três novos ônibus, que vão estar lá permanentemente. Nós os usamos pela primeira vez nessa turnê, e foi fantástico. Voar com um "circo" como o nosso, não é mais possível, por razões de segurança, e também, vestir e despir; e fazer e desfazer malas a toda hora ficou muito complicado.

Acontece com a sua orquestra como em outras bandas famosas? Os integrantes da orquestra têm aqueles fãs inconvenientes? As mulheres se atiram aos seus pés?

André (rindo): Sim, se atiram!"

E como o pessoal da orquestra reage?

Eles não reagem!

Então você tem uma orquestra muito decente, pois se não fosse assim, você não diria isso.

Não diria; honestamente. Nós temos um ambiente muito bom juntos. Sabemos que somos dependentes uns dos outros, que apresentamos nosso produto juntos. Ninguém vai sozinho à cidade. Sempre vamos juntos, porque se algo acontecer a qualquer um de nós, não poderemos nos apresentar. Somos muito solidários. Um dia, uma das nossas jovens quase foi estuprada; digo quase, porque uma outra pessoa chegou a tempo, e a salvou. Aconteceu no toalete de um hotel, onde um desqualificado estava com más intenções.

Mas posso lhe dizer; todos, na orquestra, ficaram muito abalados. Foi muito difícil para mim contornar a situação, a fim de que conseguissem se apresentar aquela noite! Então, se algo realmente muito ruim acontecer a algum dos integrantes da minha orquestra, nós certamente, não conseguiremos nos apresentar. Por isso, tomamos muito cuidado.

E quanto a você; essas fãs que pegam no pé; que lhe enviam coisas, ou que lhe seguem. Como você lida com isso; conversa com elas?

Não; não dou nenhuma atenção a elas. Nós as conhecemos todas. As reconhecemos e dizemos: Oh, lá vem ela...; ou é ela de novo....

Você tem, vamos dizer, uma lista negra em seus ônibus, com fotos ou algo assim?

André, (rindo): Oh, não.

Ouvi dizer que você tem uma agenda de turnês: duas semanas em casa, duas fora.

Sim; essa é nossa filosofia. Não pretendemos estar longe de casa por mais do que duas semanas. Acabamos de retornar de uma turnê, e hoje, finalmente estou de volta ao fuso horário holandês, eu acho. Ontem às 4:30 da manhã, eu já estava acordado (efeito do "jet lag"), mas hoje eu dormi até às 7:30, como de hábito.

Você é um verdadeiro astro, chegando de helicóptero...

Isso não tem nada a ver com estrelato. Como aqui na Holanda só é permitido aos caminhões ultrapassarem uns aos outros com a velocidade de uma milha por hora (cerca de 1,8 km/h), e como as rodovias holandesas estão sempre atulhadas de caminhões ultrapassando uns aos outros, com muitos engarrafamentos, prefiro pegar um helicóptero.

Obrigado, André, desejamos a você muito sucesso nos EUA, e estamos super orgulhosos de você!”