Entrevistas

23 - “André Rieu on-line, no Centerstage do AOL"

Em 22 de novembro de 2002 André foi convidado para um "talkshow" on-line, no AOL Centerstage, na Alemanha; foram 60 minutos de entrevista conduzida por Karin Brosicke, transmitida ao vivo pelo websitewww.aolive.de

Tradução: Sonja Harper/MérciaCosac

Nota de Sonja: Gostaria de esclarecer que esta não é uma tradução ao pé da letra, pois meus conhecimentos de alemão não são bons o suficiente para compreender exatamente o que está sendo dito, especialmente quando falam ao mesmo tempo. Além disso, por não conhecer a grafia das palavras, não foi possível identificá-las no dicionário; assim, presumi algumas delas. Em todo caso, se não é uma tradução exata, a maioria pode ser identificada, e espero que gostem..

“Uma hora inteira para fazer perguntas a André Rieu!

Bem vindo Sr. Rieu.

Obrigado, prazer em estar aqui.

Você tem uma pergunta para fazer à nossa audiência on-line; qual é ela?

É algo em que tenho pensado há muito tempo; "O que vocês acham: seria bom que a música fosse uma disciplina obrigatória nas escolas, em todo o mundo; ou não?"

Vocês podem votar durante uma hora, e ao final do programa, informaremos o resultado; Sr. Rieu, você acabou de lançar um novo CD, o décimo, se fiz a conta certa....

Sim, é possível que seja o décimo; não tenho certeza...

Trata-se do "Waltzertraum"

Sim; "Waltzertraum".

Esse CD, lançado em 4 de novembro, é um álbum que o leva de volta às suas raízes, com todas aquelas valsas; são dezenove músicas...como foram escolhidas?

Exatamente!Todas as faixas desse CD valsas; usei minha intuição. Na verdade, minha esposa também me auxiliou, listando uma série de títulos. Tínhamos muito trabalho a fazer, e estávamos em viagens ao redor do mundo; então pedi a Marjorie para pesquisar e listar algumas músicas; ela me trouxe 88 títulos. Agimos sempre dessa forma; produzimos nossos CDs em conjunto; sim, eu toco; mas a escolha do repertório é um trabalho conjunto.

Você dá a palavra final?

Não... não; escolhemos juntos....mas ela tem uma grande influência sobre a minha... como dizer... sobre a minha vida! Com certeza. E também sobre a minha maneira de pensar; assim, sempre escolhemos o repertório juntos.

Há muitas músicas muito conhecidas aqui...Olhos Negros, The Red Rose Café, Que Será, Será, A Viúva Alegre..., muitas...., muitas valsas bem conhecidas; e também duas melodias que são composições suas.

Sim; tenho feito algumas composições, ultimamente, em parceria com meu irmão Jean-Philippe; e nós achamos que essas duas composições ficaram tão boas que decidimos incluí-las neste CD.

"Minha Canção de Amor"....

Não; não é essa; essa é uma composição de Robert Stolz: "Minha Canção de Amor Será uma Valsa".

Então é "O Velho Castelo", e a "A Valsa Hurdy-Gurdy"?

Sim; exatamente.

E, ao lançamento deste CD, segue-se uma turnê, que começa, ao que parece, em três dias... na segunda-feira?

Sim; a propósito: esta manhã ainda estávamos ensaiando lá em Maastricht; ensaiamos por toda a semana. Foi uma semana maravilhosa... um tanto caótica... mas é sempre tão bonito! Os ensaios para uma nova turnê são momentos muito criativos, quando estamos realmente pensando em coisas novas...é um pouco cansativo, mas também proporciona, sem dúvida, muito prazer.

Você está nervoso?

Meus nervos estão bem... sou assim mesmo; tenho uma vida muito agitada, mas maravilhosa: adoro minha profissão; mas essa fase de stress não deveria durar tanto tempo...pois é muito exaustiva....

O que você ainda tem por fazer nestes três dias?

Tenho ainda algumas outras entrevistas aqui em Hamburgo; esta noite, temos uma sessão de ensaios para o programa "Gold, Gold, Gold", que será amanhã à noite na nova Arena; depois volto para casa. Ainda tenho que decorar meu texto e minhas falas para os concertos...mas, tudo vai indo bem....a concentração em uma nova turnê é muito importante, e além disso, ainda temos os ensaios finais..., e então.... o primeiro concerto.

Ouvi dizer que o palco ainda te assusta?

Antes do primeiro concerto...posso te dizer.... é melhor ficar longe de mim porque estou péssimo; sempre muito nervoso; sempre!

Nesses momentos que antecedem o primeiro concerto, estou extremamente estressado. Tudo é novo e..., realmente, não há nada que se possa fazer contra isto. Concentração...., Não...nada!É preciso estar concentrado, com absoluto controle de tudo; ter tudo muito bem preparado. Não é nada tão difícil assim, mas tem de haver a certeza; há semanas de ensaios, você sabe..., e isto é excitante; mas, quando subimos ao palco, tem que parecer como se já estivéssemos realizando aquele concerto por muitos anos; então...na primeira vez é tudo sempre muito tenso.

Uma pergunta do público: "Estivemos em sua apresentação em Wurzburg..."

Wurzburg...foi neste verão, não foi? Fantástico; é uma bela cidade.

Você realizará 53 concertos; existem alguns lugares que vocês não gostam muito?

Há, naturalmente, salas de concerto que são maravilhosas..., e outras nem tanto... para ser claro. Mas a platéia, em todos os lugares, é gentil, educada e entusiástica; todos ficam felizes por estarmos ali, e eu também fico feliz que estejam ali.

Então, realmente, não importa se tocamos em um espaço melhor ou pior. Tento sempre fazer o melhor ... e meu público sabe disso; quando nos apresentamos em um espaço que não seja lá essas coisas, como sempre, trazemos nossos próprios candelabros, tapetes e tudo o mais que possa fazê-lo ficar melhor; assim não se nota muito.

Outra pergunta do público:"Quanto tempo você e sua orquestra ensaiam durante uma turnê?"

Depende; no começo, bastante.

Por exemplo, amanhã vamos ter o primeiro concerto, em Emden; e já sei exatamente o que ainda não está bom. A platéia não sabe, mas eu sei; e então fazemos as correções para o outro dia. E assim vai... até que fique 100% certo, ou que não fique 100% certo (risos). Isto cá entre nós....

Para responder à pergunta: no início, ensaiamos muito e então.... menos e menos. Na verdade, ensaiamos todas as noites; se durante um concerto ouço algo que não soa bem, então olho para a pessoa e digo; faço sinais com a cabeça e chamo a atenção. Geralmente dizem: "Sim, eu sei que cometi um erro"; ou se não perceberam, eu mostro a eles. Tudo isso acontece durante uma apresentação; nós nos entendemos muito bem.

Então cada concerto é como se fosse um ensaio?

Exatamente.

Outra pergunta: "Qual o tamanho da sua orquestra, e quando voltarão à Áustria?"

Cinquenta músicos...na Áustria... em Viena...., estaremos, eu acho que... em 4 de fevereiro? (verifica em sua agenda); estaremos em Viena no dia 3, e no dia 5... em Graz.

Você tem um site maravilhoso, e todas essas datas estão lá.

Exatamente; em www.andrerieu.com

Você trouxe alguns brindes para sorteio junto a seu público; será que é o Stradivarius, uma vez que ele já está velho, e você pretende comprar um mais novo?

Mas você não pode ganhar meu Stradivarius. (risos).

Ah, eu então me confundi; mas você o trouxe: lá está ele.

Sim, lá está ele.

Inacreditável... um instrumento tão antigo....

Sim.

(André toca uma melodia com seu violino)

Qual é a história deste Stradivarius?

Este é o segundo violino que Stradivarius fez em toda sua vida; e ainda era muito jovem: 23 anos, quando o fez. Estava recém-casado, e muito apaixonado; você pode sentir isso. Vou tocar um pouco, e você vai sentir...vou tocar uma canção japonesa; acabei de chegar do Japão, e essa melodia foi tocada em todos os concertos realizados lá.

(toca um trecho de "Kojo no Tsuki – uma melodia japonesa, que conta a história de destruição de uma guerra de samurais em um castelo)

Um violino apaixonado....

Certamente.

Quantos violinos Stradivarius existem no mundo?

Bem, Stradivarius viveu muitos anos, especialmente para os padrões daquela época; ele viveu até os 90 anos. Fabricou, sem dúvida, muitos violinos.

Sobre este violino em particular, sabe-se que foi feito no início da sua carreira e, estamos absolutamente certos que ele o fez pessoalmente. Quanto aos violinos mais recentes, fabricados quando ele já era tão famoso, que podia vender muitos violinos, já tinha muitos auxiliares... filhos e auxiliares... e não se sabe, com certeza, se realmente Stradivarius, pessoalmente, fabricou aqueles violinos, ou se algum de seus auxiliares fazia, e ele só assinava.

Exatamente quantos violinos ele fez, ninguém sabe...mas há tantos violinos Stradivarius no mundo, que ele, provavelmente, não conseguiria ter feito todos eles; há que se fazer um estudo profundo, como aconteceu no caso de Rembrandt e Van Gogh. Descobriu-se que Rembrandt não poderia ter pintado todos aqueles quadros pessoalmente; então, após um estudo bastante detalhado, chegaram à conclusão que a metade deles não foi pintada pessoalmente por ele.

E isto certamente vai acontecer com os violinos Stradivarius também.

Você tem um segurança especial para cuidar deste violino; é muito, muito valioso.

Não especificamente para isso; mas como sempre estou muito ocupado quando estou em viagem; com entrevistas, ou com outras tarefas, então o violino tem de estar protegido.

Qual é a sua tarefa?

Muito simples; tem de cuidar para que ele esteja sempre em seu estojo, e que ninguém toque nele. Nada de especial; sou cuidadoso, naturalmente. Tenho estado às voltas com violinos por toda minha vida e sei como cuidar deles; nunca se deve, especialmente, tocar em seu verniz.

Esse verniz não é novo?

Não; é o verniz original colocado por Stradivarius. É interessante você ter me perguntado isso, pois é um fato que impressiona não somente a nós, músicos, mas também aos cientistas: " Porque um Stradivarius soa tão bonito".

Eu tenho a minha própria teoria sobre isso; penso que é por causa do verniz. Ele envernizava seus violinos centenas de vezes, e então os colocava ao sol, pendurados uns junto aos outros; existem desenhos mostrando os violinos pendurados entre cuecas, secando ao sol.

Esse escudo de verniz faz com que a caixa de madeira (dá umas batidinhas no violino) fique muito rígida, e quando as cordas são colocadas, porque de fato, é isto que é um violino: uma pequena caixa de madeira com cordas, e tracionadas, todo o conjunto fica sob tensão, que atravessa também o verniz. Quando não se coloca verniz suficiente em um violino, não há som; então é o verniz que faz a diferença... esta é a minha opinião.

Um karma com Stradivarius?

Sim, e é um sonho ser capaz de tocá-lo.

Já aconteceu algo com ele alguma vez?

Caiu, ou molhou?

Não, nunca; há pessoas que dizem: aqui está muito úmido, ou muito seco... não acredito nisso. Trata-se de um ser vivo; madeira viva. Claro que não vamos colocá-lo no freezer ou no fogo, mas cuidar dele com naturalidade; como fazemos ao manusear qualquer objeto: assim também devemos cuidar do violino.

Uma pergunta da audiência: "Sr. Rieu, qual é a sua melodia favorita; e se você toca outros instrumentos..."

Bem... minha melodia favorita...? Não existe realmente uma só; sou um músico e toco tantas melodias maravilhosas, que não poderia dizer.... Acabei de tocar aquela canção japonesa aqui, e ela... hoje eu acho que é uma linda melodia... mas, amanhã... pode ser uma outra.

Qual era a outra pergunta?

Se você toca outros instrumentos, além do violino.

No passado, quando era ainda um estudante, toquei muitos instrumentos....para experimentar. Oboé... piano(detesto piano) e flauta. Tentei o trompete também, mas o violino sempre foi o meu instrumento preferido.

Diz-se que você pode, com facilidade, reconhecer mãos para piano, e quanto às suas próprias mãos?

São mãos para violino; minhas mãos são de violino. (risos)

Que há de especial sobre mãos de violino?

Nada; são idênticas às suas mãos. Você também pode tocar violino.

Posso tocar violino?

Sim, como não?

Como pode dizer isso?

Posso dizer; se você cortar um pouco as suas unhas, então você pode executar o "vibrato".

Cortar as unhas?

Sim, pois, de outra forma, não poderá vibrar as cordas; mas além disso... ... (o telefone toca)...que é isso? Ah, é um fax....

E seus dedos, ficaram calejados?

Sim, mas só um pouquinho.

Ali....

Sim, um pouquinho; aqui e aqui..... Algumas pessoas tem calos grossos; tem calos até no pescoço. Mas eu não tenho nenhum... e eu toco bastante, mas....

Você exercita seus dedos?

Não; tocar já é, por si só, o exercício de que preciso.

Você tem de cuidar de suas mãos?

Naturalmente, mas você também tem de fazê-lo.

Você tem seguro?

Não, porque é preciso muito dinheiro para cobrir todos os meus custos; tenho cento e trinta empregados em minha empresa. Nenhuma companhia seguradora pagaria todo esse dinheiro.

Então pensei:" Deixa estar; a maioria dos seguros nunca é paga mesmo!"

Você trabalha com suas mãos, corta pão ou algo assim?

Sim, faço tudo isto; uma vez...bem, eu costumava ser um autêntico "faça você mesmo".... Posso fazer várias coisas; só não gosto muito de mexer com a eletricidade. Mas, tirando isso, sou capaz de construir uma casa.

Então...tudo; portas...

Sim.. sim; tudo. Porém, não tenho mais tempo para essas coisas; mas sou capaz de fazer, e uma vez, eu realmente me cortei feio... aqui....você ainda pode ver....

Uma cicatriz... e levou vários pontos....

Sim, mas cicatrizou bem; tive sorte. Se fosse na outra mão teria sido pior. Foi com uma dessas facas "exacto"... como se diz em alemão? Uma daquelas facas muito afiadas para hobby; foi direto....(André mostra como se cortou). O cirurgião disse-me que eu não poderia ter feito um trabalho melhor do que esse.

Há quanto tempo foi isso?

Há muito tempo; cerca de 25 anos.

Atualmente, você consegue segurar o violino com a cabeça..., e eu me pergunto: "Como pode fazer isso por duas horas inteiras?"

No começo, é difícil, naturalmente; mas, como acontece sempre...quando você pratica..., e aqui em mim... você tem uma bela...(toca na clavícula da entrevistadora), como se diz em alemão?... esse osso já está inteiramente desgastado.

Desgastado?

Sim, desgastado; porque o violino está sempre apoiado ali.

E do outro lado?

Do outro lado, ainda tenho o osso; aliás tenho, naturalmente, os dois. Mas eles, e também o meu maxilar, são diferentes; se colocar o violino sempre deste lado, eentão...(coloca o violino sob o queixo, do lado direito), fica tão difícil como o é para você; desse lado não consigo, deste outro (troca de lado), fica simples....

Você faz exercícios para o pescoço?

Não, não; tocar já é um exercício suficiente.

Por exemplo, esta manhã eu estudei por três horas sem interrupção, e estou certo de que perdi uns dois quilos durante os exercícios; é um esforço muito intenso...

Isso é bom.

Sim, é bom, mas sempre acontece....(o telefone toca novamente).

Aqui vem outra...

É uma mensagem; você costuma trocar mensagens instantâneas?

Sim.

Para mim, é a melhor invenção dos últimos anos. E te digo porque; quando se está, por exemplo, em meio a uma reunião... OK... aqui é, naturalmente, um pouco diferente; mas.... mesmo durante uma reunião, posso estar em contato, por exemplo, com minha esposa; troco mensagens instantâneas com ela centenas de vezes por dia.

Esta mensagem é dela?

Não, não; acho que ela está assistindo...não tenho certeza. Mas, é a melhor coisa; e maravilhoso...

Outra pergunta do público: "Parece que vocês todos (da orquestra) estão sempre fazendo brincadeiras; é real ou é parte do show?"

É real; ele entendeu bem. Falamos sobre isso todo dia: minha esposa e eu, e minha orquestra. Definitivamente... é real!

Vamos voltar a falar sobre a semana de ensaios: é um trabalho muito estafante, mas mesmo assim, nos divertimos muito; persistimos até atingir a perfeição, e é uma coisa muito gratificante...tentar...até ficar perfeito; ensaiar e ensaiar...

Há poucas pessoas que conseguem ir até o fim, e é por isso que é tão gratificante e agradável; " Puxa!, foi ótimo...conseguimos."; trás um sentimento de satisfação quando toda noite...

Mas é ruim quando você diz: "Ok,...tentamos, mas não deu certo, e continua assim no próximo ano... e não fica como deveria ficar... ; isto é que aborrece.

É preciso sempre tentar começar cada noite do zero; não só no que se refere ao violino ou ao repertório, mas a todos os aspectos do trabalho. Esta é a razão pela qual estou sempre nervoso; porque não sei o que acontecerá à noite; não conheço aquela platéia.... e aí bate aquele stress, mas também muita energia, uma vez que tudo é novidade.

Mais uma pergunta do público: "Sr Rieu, já tocou rock com seu violino; ou isto não é possível fazer com um violino?"

Não é possível; não sei exatamente o que quis dizer com"rock", mas posso imaginar: muito equipamento eletrônico....., e o mais bonito do violino, é que com ele tudo é ao vivo; sou um fã da eletrônica, bem como de todas as novidades, como a Internet; é uma coisa formidável. Mas o mais bonito, por exemplo, no que se refere às valsas, é que podemos tocá-las no mundo inteiro; mesmo se faltar energia, ainda assim, poderemos tocá-las.

Não sei se isso vale para o "rock"... realmente não sei; pode alguém tocar "rock" com um violão clássico?Acho que não é possível,,,,, o que eles querem dizer com "rock".....????

Os Rolling Stones.....

Os Rolling Stones; creio que eles não podem fazer muita coisa sem a eletricidade. Suponho....não tenho certeza; nós ainda podemos tocar..., mas,..."rock" ?

Aí vem outra pergunta do público: "Você dá autógrafos depois dos concertos?"

Sim.

Você é um astro; Podem tocar em você?

Não sou um astro; sou apenas um ser humano, e quando tenho tempo, você pode me tocar.(risos); sou um homem comum.

Também depende de onde estivermos; algumas vezes podemos estar atrás de uma parede, e outras vezes, no meio do público; de qualquer forma, para mim, está tudo bem.

Você realmente gosta do público alemão, o que, naturalmente, nos deixa felizes; é verdade que somos o melhor público?

Sim, é verdade; há uma sintonia....quando tocamos na Alemanha, as pessoas conhecem todas as músicas. Não é que elas sejam escolhidas para o programa dos concertos por causa disso; simplesmente as toco e eles as conhecem, e então forma-se uma atmosfera maravilhosa a partir dessa integração.

Isso acontece aqui na Alemanha, e.... sim...., para um músico, é muito bom quando está no palco, e sabe o que o público pensa. Acho ótimo estar aqui e, naturalmente, acho maravilhoso tocar para esse público Sim.... é ótimo; também sinto esse contato maravilhoso aqui.

Em outubro você esteve no Japão para vários concertos.

Sim.

Como foi no Japão?

Tenho que admitir que eles têm um comportamento muito semelhante ao do público alemão. Sim... realmente!No Japão, sob muitos aspectos, é como na Alemanha; não que falem alemão, naturalmente, mas eles são muito pontuais: 8:00 horas são 8:00 horas,... e tudo é muito organizado. Assim fico um pouco mais tranqüilo, pois, em nossa empresa, eu penso que, até em respeito uns aos outros, a pontualidade é fundamental; isso acontece na Alemanha, e assim foi no Japão. Fantástico!

Você já tem um professor de japonês?

Não, ainda preciso encontrar um; mas, tenho estado tão ocupado.... no entanto, decididamente, tenho que aprender; estou estudando japonês usando um programa de computador que comprei na América; no aeroporto... e está dando certo. É um programa maravilhoso, mas cheguei a um ponto que preciso de um professor de carne e osso: alguém com quem possa aprender rapidamente com aulas diárias.

Sr Rieu, por que você só toca valsas? Não que eu não goste de valsas, ou que tenha alguma coisa contra elas, mas nunca ouvi você tocar....

Em primeiro lugar, não toco somente valsas; todo mundo sabe disso. Não consigo tocar só valsas. No entanto, toco muitas valsas porque gosto delas, e em segundo lugar, eu decidi....

Fui criado em um ambiente muito erudito; penso que no mundo da música clássica, existem muitas opiniões pré-concebidas, e como se diz, há uma lei, não escrita, de que quando alguém ...(tosse)...., toda a platéia procura quem fez isso; ninguém pode exteriorizar seus sentimentos; tudo é muito elitista; uma coisa ultrapassada; de museu.

Quero trazer mais vida às apresentações, e é isso que tento fazer em meus concertos. Já formei o meu público em todo o mundo, e gostaria de mostrar a esse público como é realmente a música clássica; mostrar como Mozart, por exemplo, não era um homem tão rígido e sério, como é tocado hoje em dia.

Ele era uma pessoa divertida, que, na maior parte do tempo, falava uma série de bobagens. E ele realmente era um gênio!

Alguém deveria tentar colocar essa música de volta ao lugar aonde ela realmente pertence: ás ruas!

E isso acontece com as valsas?

Ah, faço isso também com as valsas.... de vez em quando.... e espero, aos poucos, pegar meu público pelas mãos, e mostrar-lhe todos os clássicos. E então,Scherezade estará de volta também!

Você cresceu em uma família muito musical; seu pai era maestro, eram seis crianças e todas cantavam no coro da igreja. Você cantava no coro, de livre e espontânea vontade?

Não...não, absolutamente... Mas, aconteceu; nós freqüentemente perguntávamos, meu irmão e eu: "Podemos deixar o coro?”, mas nunca nos foi permitido. Hoje sinto-me feliz por ter sido assim, porque todo um senso musical, de base muito boa, se forma quando se canta em criança. Não sou somente eu quem diz isso...mas é verdade. Peter Schreyer disse isso também; e há um tenor muito conhecido que também começou como cantor de coro. Enfim, hoje estou feliz que tivesse feito parte do coro, mas quando criança, obviamente, preferia brincar fora de casa, jogar futebol ou fazer qualquer outra coisa.

Durante sua juventude, diziam que você não ia dar para nada.

Sim... onde você ouviu isso?

Que tipo de criança você era?

Não sei que tipo de criança eu era; era muito sonhador, e era isso que fazia com que pensassem que eu nunca seria nada (risos).Não sei porque... você teria de perguntar isso à minha mãe.

Além da música, que fazia quando criança?

Brincava muito; queria aprender a consertar tudo: aprendi a fazer muitas coisas. A música, naturalmente, sempre foi importante; e havia os ensaios para o coro da igreja, e também o violino... sempre.... ensaios, ensaios, e ensaios: o violino me acompanha desde os cinco anos de idade.

Então, você estava sempre ocupado com alguma coisa quando criança.

Sim, exatamente.

O que você tanto queria aprender a consertar; o que fazia?

Quando eu era muito jovem, já podia fazer e montar muitas coisas, ou consertar coisas pela casa; também cozinhava; freqüentemente para a família. Éramos nove em casa; minha avó morava conosco também. Anos depois, quando Marjorie e eu já estávamos casados, sempre que ia para a cozinha, continuava a cozinhar para nove pessoas! (risos). Ainda hoje cozinho em excesso; tenho problemas com as quantidades....

Você era um adolescente nos anos sessenta; a música dos Beatles ou dos Rolling Stones fizeram parte da sua vida?

Que música...dos Beatles? Não, era coisa proibida em nossa casa; totalmente desconhecida para mim; passou longe de mim, e de todos nós. Quando os Beatles e os Rolling Stones eram famosos eu costumava estar vestido como um artista, à moda de Mozart, um tanto romântico, com "jabot" e calças brancas, apertadas; minha professora de violino uma vez olhou pela janela e perguntou "Onde está o seu cavalo branco?"

Anos mais tarde, quando eu já estava com a Marjorie, é que nós dois pudemos ter a nossa adolescência tardia.

Você tornou-se um rebelde por causa disso?

Hoje em dia, olhando para trás, penso que eu era um pouco rebelde, mas sentia-me perfeitamente bem assim; e eu era aceito; não era infeliz por causa disso. Conheci outros rapazes com o cabelo à moda hippie e usando calças coloridas, mas eu era diferente, e eles sabiam disso.

E eles eram seus amigos?

Sim... sim; eram bons amigos. Apesar de que aquele tipo de música não tinha o menor interesse para mim; mais tarde, naturalmente.... teve.

Outra pergunta do público: "Sr. Rieu, pode me dar algumas sugestões.... que posso fazer: minha filha só toca o violino uma vez na semana, e eu não consigo motivá-la....

Bem, é algo como...

Como o seu pai te motivava?

Era minha mãe quem sempre dizia: " Ei...ei, André, já para cima!"

Com autoridade?

Sim, tinha de ser dessa forma; há violinistas que dizem que eu devia ser uma criança prodígio; que eu sempre queria tocar meu violino; e que não tinha interesse em brincar com outras crianças. Não sei se acredito nisso, mas se querem dizer isso, que o digam.

Eu era uma criança um tanto normal e sempre queria brincar fora; mas, quando estava com o violino em minhas mãos, então pensava: "Bem, vamos lá!"

Acho que apenas uma sessão de ensaios por semana não é o bastante; é necessário estudar todos os dias. Tenho que dizer isso: se a criança não quer, então não force... deixe estar, por favor; forçar uma criança a fazer o que ela não quer é terrível; não dá certo, pois deve haver um sentimento envolvido: que elas realmente queiram. Se não for assim, deixe sua filha então fazer algo que ela queira fazer.

Mais outra pergunta do público: "Você trás a famosa carta do seu pai com você? Uma vez vi em um programa que você sempre está com ela."

A que carta ela se refere?

Não sei; meu pai me escreveu uma carta, com uma lista de canções; mas também uma outra na qual me dizia que pensava que estava maravilhoso; como eu estava fazendo bem...mas essa carta, eu a tenho em casa, não a trago comigo.

Houve um momento em que você quis desistir de tudo e tornar-se um "pizzaiolo".

Certo! Sim, eu efetivamente desisti...sim, juntamente com Marjorie, parei com toda a música; guardei o violino no armário; e joguei fora as chaves. Pensei, naquele momento, que tinha sido uma boa atitude, e me senti leve e feliz; era a primeira e única vez em toda minha vida que eu estava livre do violino!

Planejava abrir uma pizzaria; já tínhamos tudo preparado: a casa; a decoração...tínhamos até o cardápio, e decidimos que a pizza mais cara seria a pizza "Paganini": eu tocaria alguma coisa quando alguém fizesse um pedido. Mas, claro que dessa forma, eu teria, naturalmente, de ser capaz de tocar as músicas de Paganini.Para isso, deveria voltar a estudar, e assim, ficou o violino (risos) e acabou a pizzaria.

Você está casado por 27 anos; qual foi a importância de sua esposa para o seu sucesso?

Bem... sempre digo: "Se não tivesse encontrado a Marjorie, provavelmente teria acabado na sarjeta e é exatamente isso que quero dizer, tal a influência que ela tem sobre mim. E ela faz tudo de uma maneira fantástica; ela sente que tenho alma de artista e que preciso estar no palco, pois é isso que me faz feliz.

E ela aceita que eu esteja fora de casa freqüentemente; creio que este é o nosso segredo: estamos quase sempre longe um do outro.

Ela trabalhou muito duro junto comigo para chegarmos até aqui, e agora ela está sendo prejudicada por isso, pois passo a maior parte do tempo fora; mas ela compreende... e para ser sincero, não gosto de estar longe de casa. É sempre dolorido, e chego a chorar quando nos separamos; mas quando já estou viajando, então tudo volta ao normal; e é assim que acontece.

A participação dela em meu trabalho é muito, muito grande;sou apenas a ponta do iceberg (faz o gesto com as mãos) e tudo o mais está debaixo d'água; é por esse ângulo que as coisas devem ser vistas.

Ela toca algum instrumento?

Não, apenas o piano... um pouco; mas somente por prazer.

Na primeira vez em que vocês se encontraram, você estava com 13 anos?

Não, ela estava com 13 anos e eu com 11; ela era colega da minha irmã no colégio. Houve uma festa em nossa casa, e veio toda a classe; mas eu só tomei conhecimento de uma garota, que era a Marjorie. Mais tarde, ela se tornou professora no colégio onde ela e minha irmã estudaram. Marjorie fazia parte de um comitê onde eram organizadas noites culturais, e ela pensou: "Vou convidar a irmã do André para tocar harpa para nós, e talvez o André também venha....". E foi dessa forma que nos encontramos novamente; na noite seguinte ela estava em nossa casa, e eu segurei o cinzeiro para ela durante toda a noite, para que ela pudesse colocar as cinzas de seu cigarro. Foi assim que aconteceu; só não foi muito boa a parte do cinzeiro.

Ela ainda fuma?

Não, nem ela, e nem eu.

Você não usa aliança; é normal entre violinistas?

Sim, eu uso....eu uso!

Onde está ela?

Aqui...aqui está ela.

(pega em uma corrente em volta do pescoço, e mostra a aliança)

Graças a Deus!

Eu a trago no pescoço porque uma vez eu prendi o dedo por causa dela; em uma porta, eu acho. Aquilo me assustou tanto, que eu disse... nunca mais!

Mas não aconteceu nada sério, não é?

Não, mas eu tenho de ter cuidado com meus dedos, naturalmente....

Existem muitas estórias de que o Sr. Rieu está tendo um caso....

Um caso...só um? Se dependesse da imprensa sensacionalista, eu teria um caso e pelo menos cinco crianças, em cada cidade alemã.

Miss Bartels foi citada....

Humpf!...seriam tantas, que nem me lembro mais de todos os nomes.....

Isso não é irritante?

Faz parte do "show-business". As revistas que publicam essas coisas só servem para entretenimento; na manhã seguinte, as pessoas já estão embrulhando arenque nessas mesmas páginas...creio que é assim que isso deve ser visto.

Ah, mas eu li que o Sr. Rieu trai sua esposa.

Bem... se você acredita em tudo que está publicado nessas revistas, então o erro é seu, e não meu!

Então lembrem-se de que a aliança fica presa a uma corrente, e que as revistas escrevem só para entretenimento....

Eles ligam para o meu escritório e dizem: "Nós queremos publicar isto ou aquilo... você pode escolher". Então eu digo: "De qualquer forma você vai escrever o que quiser, então escreva." E se as pessoas quiserem acreditar, o problema é delas.

Mas, tudo que está acontecendo aqui é verdadeiro!

Absolutamente verdadeiro.

Qual é a idade média dos integrantes da sua orquestra, e como você os escolhe?

É uma orquestra muito jovem. A média de idade eu não sei exatamente; talvez 25 anos, ou algo assim.... muito jovem. Naturalmente que isso me torna jovem também; tenho 53 anos, e sou o mais velho.

Como eu seleciono... é simples: claro que eles devem saber tocar bem seu instrumento; há um teste para isso...é rápido. Posso sentir logo se a pessoa toca bem ou não. Aí nos sentamos para conversar....se dessa conversa vem algo como: "Qual será o meu salário; quantos dias terei de folga; ou como é o seguro, etc.", então a conversa termina logo.

Não estou dizendo que não se deva conversar sobre esses assuntos, mas não devem vir em primeiro lugar; as primeiras questões devem ser tais como: "Posso fazer isto? .... acho que é tão maravilhoso o que você faz; ou eu também quero fazer música.". Quando é desse jeito: olho no olho, então eu digo: "Acompanhe-nos em uma turnê, onde poderemos trabalhar juntos, e lá, veremos, com o tempo, se dará certo."

Na maioria das vezes, quando uma conversa vai bem, a turnê também vai.

E então eles ficam.

Sim.

Você sempre diz que é o patrão; mas não é também um amigo das longas discussões?

Sim, e eu acho que esta é a maneira correta de agir; mas discussões são outra coisa... a discussão não deve....

Por exemplo, esta manhã chegamos a um ponto em que eu disse: "Vou tomar uma decisão ou ficaremos até amanhã falando sobre isso" ; e tratava-se apenas de um detalhe.

Você acha que é possível que alguém possa ainda ser popular com as pessoas?

Naturalmente não é este o ponto; acredito que para muitas pessoas, e isso ocorre também na política.... não existem mais líderes, e então eles dizem: "Lembram-se de 50 anos atrás? Havia um líder...".

Mas pensar assim é uma tolice; não se deve lembrar de exemplos tão negativos na história; existiram também muitas pessoas boas, que costumavam decidir e dizer: "Vamos fazer dessa maneira, pois de outra forma não vai funcionar”.

Quando alguém é um líder, um bom líder... acho que é perfeitamente possível, como é o meu caso com o pessoal da orquestra. Todos são músicos que estudaram duramente para fazer música.... então, deixe-os fazer música. Quando um músico em minha orquestra tem uma boa idéia, eu digo: "Ótimo, então vamos fazer assim.". É uma troca; mas tudo deve estar sob uma única direção; ocorrer a partir de um ponto; ou então não funciona.

Acredito que pode ser muito agradável trabalhar em conjunto, desde que haja somente um líder; não é que eu não queira alguém acima de mim ... acho que seria fantástico. Mas, é como na política: se o governo falha, não devemos estranhar, pois resulta da falta de um líder único; e penso que muitas pessoas concordam comigo nesse ponto: "De quem podemos esperar que saiba o que está falando; e em quem possamos acreditar, e sentir que tudo sairá bem." Acontecem tantas bobagens... e acho isso muito triste.

Outra pergunta do público: "De quantos países diferentes vêm os seus músicos?"

De muitos países; acho que temos músicos de oito nacionalidades até o momento. Muitos, naturalmente, vêm de Limburg; moro em Maastricht, no sul da Holanda. Somos um pouquinho alemães, um pouquinho belgas e um pouquinho holandeses; a região onde vivemos é muito bonita. Não nos sentimos completamente holandeses, mas também parte alemães e parte belgas, por causa do local em que vivemos; é uma província muito musical: cada vila, cada cidade, tem um coro, uma fanfarra, uma orquestra, uma orquestra de jovens, ou uma banda marcial; é realmente maravilhoso, e muitos dos meus músicos provêm dessa região.

Mas, também temos alguns americanos, alemães, belgas e romenos. Que mais...? E isso dá uma boa mistura; todos vivem na região: penso que é importante; não é bom quando alguém tem de deslocar-se de longe para lá. Viajamos juntos; estamos sempre junto; pode-se perceber isso no palco. E esta é também uma das minhas questões: quero que seja assim.

Seu signo astrológico é libra; então você faz aniversário em outubro?

Sim, outubro.

A orquestra já lhe fez alguma surpresa?

Não, um momento... (pensando). Não, quando estamos em viagem, apenas tocamos um "Parabéns para Você"; é o que fazemos uns para os outros. Quando iniciamos um ensaio, então tocamos (cantarola parte de uma canção de aniversário holandesa), porém não me recordo onde estávamos.... mas vou lembrar-me (verifica em seu celular).

Quando é exatamente o seu aniversário?

Algum dia, em outubro.

Você não dirá?

Não.

Tem alguma razão para isso?

Não.Simplesmente porque acho melhor assim.

Seu filho mais jovem agora trabalha com você?

Pierre...?... Certo; como gerente mundial de produção.

Seu filho mais velho estuda História da Arte; nenhum músico entre eles...isso dói em você?

Não, absolutamente; eles são ótimos garotos. Nós, Marjorie e eu, já pensamos muito sobre isso, e conversamos muito sobre a direção a ser tomada por nossos filhos. Também lemos bastante a respeito, e tentamos acompanhá-los sem maiores problemas.

Uma dessas conversas foi sobre o que faríamos com os instrumentos; e lhes dei aulas de violino quando eles ainda eram crianças: "Seremos rígidos com eles e vamos forçá-los?" Conversamos muito sobre isso e decidimos não fazê-lo. Em primeiro lugar, não tenho tempo para isso: quero continuar no palco; Marjorie tinha suas atividades como professora; então dissemos: "OK, rapazes, se realmente vocês não querem, não terão de fazê-lo"; pouco tempo depois disso, o menor quebrou seu pequeno violino na cabeça do irmão mais velho, e então foi o fim de suas carreiras como violinistas. (risos).

Você tem dito que nem sempre se dava bem com o seu pai; o que os afastava?

Escute, meu pai não era tão....ele estava sempre fora; ele não se interessava por nós, ao que eu me lembre. Ele vivia para sua música; para os ensaios; para seus novos concertos...ele nunca tocou comigo, por exemplo. Eu tive de fazer tudo por mim mesmo; não que eu pense que isso era tão ruim; só não havia contato próximo com meu pai. Mais tarde, quando nós dois já éramos músicos... eu virei a ovelha negra; fiz a minha própria arte, e ele a dele, e tínhamos muitas discussões a respeito.

Foi há dez anos, em 1992, que ele faleceu; então, ele nunca chegou a ver o seu sucesso....acredita que ele estaria orgulhoso de você hoje?

Estou certo que estaria; ele já tinha dito: "A maneira com que você faz música é fantástica; eu não seria capaz de fazer o que você faz; eu faço a minha música e você faz a sua; e você faz um magnífico trabalho; por favor, continue fazendo assim para o seu público."

Portanto, estou certo de que ele estaria orgulhoso de mim.

Novamente, uma pergunta do público: "Maastricht é a sua cidade natal...e você vive lá em um castelo?"

Sim, Maastricht é minha cidade natal; no castelo funciona meu escritório, e eu moro ao lado, em uma casa comum. Como estão próximos, posso ir facilmente para o trabalho todos os dias. O castelo é só um "hobby" para mim; ele estava em um estado muito deplorável de conservação, e eu tenho... ainda não terminei sua restauração; nem estou perto de terminar. Não faço isto pessoalmente, mas contrato pessoal especializado; e juntos o estamos restaurando... aos poucos, mas inteiramente de acordo com as minhas próprias idéias.

O castelo tem uma história?

Sim, tem; foi pesquisado por um historiador. A melhor e mais importante parte da história é que um duque viveu lá; duque não sei de quê; tinha um nome francês, e isto foi ao redor de quatrocentos anos atrás, no tempo de Luis XIV .

Havia muitos franceses em Maastricht, assim como também espanhóis, que viviam disputando a posse da cidade, porque naquela época, Maastricht era uma fortaleza muito boa: tinha todo tipo de instalações para evitar a invasão de inimigos. E então, D'Artagnan, um dos mosqueteiros, passou a noite hospedado com o duque não sei de quê, nesse castelo onde vivo agora, e aquela foi sua última refeição, porque na manhã seguinte ele morreu em uma batalha, em frente às muralhas de Maastricht.

Em seu escritório, a última refeição dele....

Exatamente; é ou não é interessante?

É inspirador....

E mais tarde, isso está também documentado, outra história é também absolutamente verdadeira. O tratado de criação da Bélgica foi assinado em minha casa, em 1823, ou algo assim; então é uma casa com bastante história.

Sr. Rieu, estamos quase chegando ao fim do programa.

Bem... passou depressa!

Mas não podemos nos esquecer dos brindes que você trouxe; são álbuns maravilhosos...acho que o maior prêmio deve ser o último CD.

Então, qual é a pergunta para concorrer aos prêmios?

A pergunta é muito simples:

"Em que ano Antonio Stradivarius fabricou este violino? Foi o seu segundo violino, e ele era ainda muito jovem; tinha 23 anos.

Então, em que ano foi?

Enviem a resposta correta para Karin Borsicke; enquanto isso, vamos ver qual foi o resultado da nossa "enquete".

Pode fazer a pergunta novamente?

Minha pergunta foi:

"Há tempos venho pensando nisso: seria uma boa idéia, ou não, introduzir a música como disciplina obrigatória nas escolas em todo o mundo?"

Bom....muitos em casa votaram, e 71% disseram: "Sim, seria uma boa idéia ter música como disciplina obrigatória nas escolas"; 29% disseram que há coisas mais importantes a se fazer nas escolas. Portanto, a maioria pensa que é bom, mas o que você quer dizer com isso, exatamente?

"Obrigatório", evidentemente não soa muito bem, mas pessoalmente, penso que se todos no mundo fizessem música, ou tocassem um instrumento, o mundo poderia ser um lugar muito diferente; creio que se Saddam Hussein estudasse violino seis horas por dia, não teria tempo para praticar atos tão negativos, tenho certeza.

Você sempre diz também:

"Penso que todos deveriam aprender a dançar"

Dançar não é ruim; em absoluto. Mas, eu prefiro tocar uma valsa enquanto vocês dançam.

Você não dança...é verdade que a Marjorie não conseguiu convencê-lo a aprender a dançar?

Pior; nós somos casados há muito tempo, mas uma vez quase nos separamos: foi quando tivemos lições de dança.

Eu dizia: "Consigo dançar, e você, não" ; e ela dizia: "Eu consigo dançar, e você, não", e então passávamos a discutir; finalmente chegamos a um acordo: "Vamos parar com essas lições de dança!"

Mas, de fato, ela dança muito bem, e eu não; essa é que é a verdade.

O Sr. Rieu não consegue dançar a valsa!

Temos o nosso primeiro ganhador; por ela ter sido tão rápida, você pode escrever uma dedicatória para ela? Seu nome é Uwe.

(André autografa o CD).

Todos os outros que acertaram a pergunta também vão ganhar um CD; os nove primeiros, eu acho.

Pensei que eram 2000.

Se você nos enviar mais alguns; acho que temos mais que 2000 em nossa audiência.

Talvez umas 2000 respostas corretas....

Ainda teremos de resolver a questão sobre quando o violino foi fabricado.

Posso dizer agora?

Sim, você sabe de cor?

Sim, claro que sei de cor: 1667!

Inacreditável.

Sim, você não imagina o que significa para mim tê-lo em minhas mãos todos os dias; penso nisso todos os dias: 1667!

Que aconteceu naquela época...quem vivia naquele tempo?

Para ser utilizada na fabricação de um violino, a madeira tem de estar seca, há pelo menos cem anos; então: 1567; a árvore deve ter vivido por, talvez, 100 anos; voltamos a 1467, e eu a tenho aqui... em minhas mãos! É da época de Colombo, algo assim... e eu a tenho em minhas mãos todos os dias; incrível, e... muito emocionante!

Ele tem alma?

Claro, ele vive; o mais bonito é que quando alguém o toca, você sente isso; vibra junto com você; pode-se realmente sentir.

Você não o emprestaria?

Nunca; vejo dessa forma: ele pertence a mim; paguei por ele; cuido dele como um bom pai de família, e sou muito feliz, por ser capaz de tocar este instrumento; quando ficar velho, não poderei tocar mais, e então ele pertencerá ao próximo violinista que puder tocá-lo como um violino deve ser tocado.

Você o doaria a alguém?

Não sei; não sei o que acontecerá no futuro.

Além do mais, pertence a alguém que conhece o seu valor....

Exatamente; e que o toca

Ouvi dizer que o violino de Menuhin foi comprado por Bill Gates, e agora está guardado em um armário, e eu acho isso terrível.

Bem, este violino será tocado bastante na turnê que começará em Emden, em 25 de novembro: 53 concertos!

Você os contou?

Sim,então poder-se-á ouvir o maravilhoso som desse Stradivarius; em 25 fevereiro, em Stuttgart, será realizado o último concerto desta turnê.

As datas estão em meu site, onde todos podem vê-las.

Muito obrigada por sua visita... muita diversão e sucesso.

Foi um prazer!”