Entrevistas

15 - "Levo uma vida de jet-set"

À revista Story (repórter: Guido den Aantrekker), em 10 de dezembro de 2002

Tradução: Sonja Harper/MérciaCosac

Nota de Sonja:Esta entrevista foi realizada durante um cruzeiro organizado pelo canal de TV holandês TROS, no México. Guido den Aantrekker estava a bordo e também foi entrevistado para o programa "Lunch TV". A revista "Story" é uma revista sensacionalista, e mesmo que eu tenha dito que não traduziria matérias desse tipo, esta entrevista parece-me bastante verossímil. Apenas não estou certa sobre a existência do castelo em Hamburgo. André tem um escritório e uma casa em Hamburgo, mas não sei se estão localizados em um castelo.

Guido também foi entrevistado, e comentou acerca do trabalho de um repórter desse tipo de revista: "Escrevo sobre a vida; portanto procuro assuntos nos quais os leitores estejam interessados; coisas de caráter pessoal, como bebês, casamentos, divórcios e funerais. E o que se ouve é misturado a coisas que se sabe que os leitores têm interesse em saber"Quando perguntado sobre o que fazem se há falta de notícias, disse Guido: "Nesse caso, fabricam-se notícias, mas não se deve imaginar coisas caóticas; pode-se até fazer um acordo com o artista. Por exemplo, se os leitores querem saber como vive o seu ídolo, então você vai lá e mostra a sua casa.

"Vivo uma vida de "jet set", mas prefiro fazer minhas refeições em casa."

"A Nova York, de Concorde, para uma apresentação de uma hora".

“O violinista André Rieu não precisará contar suas moedas novamente; o músico de Maastricht é dono de uma fortuna calculada em 20 milhões de euros. O "jetset" internacional já o acolheu, e o milionário do violino sente-se confortável nessa posição. Ainda assim, André não se impressiona com o caviar e a champanhe:

" Prefiro aquelas deliciosas bolas de carne preparadas à moda holandesa."

Qualquer um que converse com André Rieu chegará, em segundos, à conclusão de que são dois os grandes amores de sua vida: sua família, e seu Stradivarius! Finalmente chegou o sucesso, dividido, com grande felicidade, com a esposa Marjorie e os filhos, Marc e Pierre.

Nesta entrevista à "Story", o músico de Maastricht fala sobre eles com muito amor.

"Quanto mais freqüente e mais longe de casa estou, mais anseio por voltar à vida doméstica; minha maior premissa é nunca ficar mais do que três semanas em viagem, quando em turnês fora da Europa. E quando os concertos forem realizados em qualquer ponto da Europa, fazer as refeições em casa todas as noites. Por isso comprei dois aviões particulares, há alguns anos atrás: um Fokker e um Citation.

Assim, não importa onde estejamos na Europa, à noite, posso sentar-me em minha própria mesa de jantar. Nesse aspecto, sou um holandês típico, pois mesmo que aprecie o champanhe e o caviar, que me são oferecidos durante as festas de gala, prefiro uma deliciosa bola de carne preparada à moda holandesa (gehaktbal)". (risos)

O super violinista, com seus cabelos longos, vive uma vida de "jetset", que já o levou ao Canadá, à América do Sul e ao Extremo Oriente. Um dos pontos altos de sua carreira ocorreu recentemente: a apresentação, de uma hora, a bordo de um transatlântico alugado pelo canal de TV TROS, durante um cruzeiro, quando foram gravados diversos programas. Sua orquestra, com 40 integrantes, voou de Cancún, no México, a bordo da Martinair, partindo imediatamente para a ilha Cozumel, onde o navio os aguardava.

André voou até Nova York, a bordo do Concorde, e dali para Miami, onde embarcou no transatlântico. Uma viagem bastante dispendiosa, com a orquestra completa. Depois de executarem oito valsas e algumas outras melodias, toda a orquestra embarcou rumo a Viena, onde o próximo concerto seria realizado. Foi a primeira vez que André voou no avião supersônico Concorde, mas ele não ficou tão impressionado assim.

Nem se nota que estamos voando a duas vezes a velocidade do som, e além do mais, é somente um tubo estreito, com poltronas em couro e lindas aeromoças. Agora que vi isso de perto, começo a compreender como é relativo todo esse luxo.

Sabe de que mais gosto? É de chegar em casa, e junto com a Marjorie, sujar as minhas mãos trabalhando em nosso quintal; e brincar com os nossos dois cães, que sempre fazem o maior estrago no jardim. Nosso pequeno castelo em Maastricht fica uma bagunça total; nossa mobília é uma mistura de vários estilos, mas é muito aconchegante e também muito confortável.

Nosso filho Pierre ainda mora conosco, e trabalha como meu produtor. Juntamente com a Marjorie, que executa grande parte do trabalho administrativo, e resolve tudo para mim, formamos uma família de empresários, que emprega 130 pessoas.

O filho Marc estuda História da Arte, e é o único que não está inteiramente envolvido com a André Rieu Productions.

André também possui um pequeno castelo em Hamburgo, Alemanha, onde instalou o seu escritório. Ele é um dos poucos astros populares, e de maior sucesso, nas proximidades do nosso país, em vários anos.

O que há de verdade nesses boatos persistentes, de que André Rieu vive uma vida de "playboy"?

Absolutamente nada! Constantemente sou associado com mulheres que sequer conheço. Por exemplo, certa vez fui convidado para uma festa de gala, promovida por uma revista muito glamurosa. A editora da revista, que havia me convidado, veio me receber caminhando sobre um tapete vermelho.

Para ser gentil, aceitei posar para algumas fotos. Uma semana depois, ao ver as revistas nas bancas, para minha surpresa, eu, supostamente, estava tendo um caso secreto com aquela dama. Simplesmente inventam-se as coisas.

Mas quero deixar claro de uma vez por todas: tenho apenas dois grandes amores em minha vida: em primeiro lugar, minha família; e em segundo, naturalmente, o meu Stradivarius. (enquanto falava, André tirava o seu violino do estojo)

Ouça e sinta ...não é uma beleza?

(executa pequeno trecho de uma melodia, e o belo som do seu violino ecoa pela sala)

Este violino é de 1667 e eu o considero como um ser vivente. Sempre penso em meu violino como uma mulher de belas formas, inteligente, e com a voz da Maria Callas. Quando nossos caminhos se cruzaram, foi amor à primeira vista; apesar dele valer milhões, eu não tenho cuidados exagerados com ele. A empresa de seguros somente incluiu uma cláusula dizendo que devo tratá-lo como um bom pai de família trataria. E eu, é claro, cumpro essa cláusula fielmente. Vejo-o como um objeto vivo, e sinto um prazer imenso com ele. Acredito que  o dinheiro tem sua função; e viver ainda é uma grande festa!”