Como se formou o repertório

de André Rieu

Este texto começa com um resumo baseado na descrição feita pela Marjorie Rieu, esposa do André, no livro "Minha música, Minha vida":

“A escolha do repertório teve início quando o maestro passou a integrar a orquestra "I Glissandi" (que mais tarde transformou-se na Maastrichts Salon Orkest) e Marjorie lhe trouxe alguns discos antigos da coleção de seu pai para ouvir.

Depois de vários anos guardados no sótão, mais de 500 discos 78 rotações foram trazidos para baixo, para serem ouvidos e selecionados quais poderiam lhe serem úteis.

Por sorte, seu sogro havia catalogado a sua coleção, de forma que não foi preciso ouvir todos os discos; foram lidos apenas os títulos, e tendo em vista que Marjorie os conhecia bem, ela cantava as canções e se André gostasse, o disco era separado para uso futuro.

Assim, as primeiras melodias selecionadas pelo casal foram a Serenata de Toselli, Sport Palace Waltz, Susie, Plaisir d'Amour, Blaze Away, La Petite Tonkinoise, The Veleta e Salut d'amour.

Todas foram grandes sucessos um dia, mas já haviam sido esquecidas.

Salut d'amour, por exemplo, de Edward Elgar, foi canção-tema de Paul Godwin, e sua orquestra dançante, tocada regularmente nas rádios holandesas nos anos 50.

Porém, a fim de que tais músicas fossem efetivamente transformadas em repertório da orquestra recém formada, haveria de ser superado um grande obstáculo: apesar de terem selecionado um repertório considerável, não se conseguia localizar suas partituras; aparentemente não estavam mais sendo impressas!

Não se conseguia nenhuma em Maastricht, ou em Amsterdam, nem em Haia, ou qualquer outra cidade da Holanda.

Marjorie e André foram procurar então nas lojas de música e antiquários da Alemanha e Bélgica e lá encontraram somente velhas partituras já amareladas pelo tempo, sendo que nada puderam extrair dessa verdadeira caça ao tesouro.

Partituras para aquela música simplesmente não estavam disponíveis.

Ainda assim, não desistiram; devia haver um modo de obter aquela velha música que tinha, um dia, sido sucesso e que tanta gente havia ouvido, em apenas uma geração passada.

Foram pedir ajuda a um jornal de Maastricht, que publicou um artigo sobre a orquestra recém-formada na cidade, com  fotos dos seus componentes, o qual serviu também como forma de anunciar o nascimento da Maastrichts Salon Orkest.

O jornal lançou uma campanha especial anunciando a orquestra, publicando uma série de artigos sobre a música de salão em geral.

Cada artigo era acompanhado de um apelo urgente, dirigido especialmente aos leitores mais antigos, para que procurassem em seus sótãos e porões por velhas partituras a fim de auxiliar um casal de pobres músicos.

Essa campanha resultou, algumas semanas mais tarde, em um caminhão repleto não só de músicas de salão, mas também cartas, fotografias e velhos recortes de jornal.

Chegou tanto material, que o apartamento dos Rieu não tinha espaço suficiente para acomodar tudo, de forma que tiveram que distribuir entre os integrantes da orquestra para guardar.

Foram semanas de trabalho duro analisando peça por peça.

Então começaram os ensaios; mas logo perceberam que muitas das músicas não podiam ser tocadas pois a orquestra só contava com seis músicos.

As partituras só podiam ser tocadas por grandes orquestras ou só para piano.

Finalmente, das incontáveis caixas de partituras musicais, restou apenas uma centena delas, sobre as quais se debruçaram para fazer os arranjos à la Rieu, cujo sucesso tão bem conhecemos, e constituíram a base do repertório”.

Nas páginas que podem ser acessadas através dos links colocados adiante, apresentamos esse repertório, separando as melodias por orquestra (MSO e JSO) e também por tipo de música (erudita, pop, e também aquelas mais relacionadas com o clima do Natal).

Os arranjos são de André Rieu, sozinho ou em parceria, especialmente com Jo Huits , pianista da JSO por muitos anos (ao que parece Jo não está mais formalmente ligado à orquestra), ou com Frank Steijns, um dos violinistas mais antigos da JSO, que também é um “virtuose” como solista no carrillon..

Inicialmente foi pensado listar o repertório das duas orquestras identificando os CDs, DVDs ou Fitas VHS que as contém, mas a ideia foi descartada pois o repertório é enorme, o que tornaria este um trabalho exaustivo demais e sem muita utilidade.

Por outro lado, algumas dessas composições fazem parte de várias dessas mídias, com versões evoluindo de acordo com o desenrolar da carreira do André.

São músicas apenas instrumentais, com arranjos mais elaborados, pela disponibilidade de mais instrumentos, ou com interpretações, com coro da própria JSO, por solistas individuais, ou por formações vocais convidadas.

Assim optamos pela apresentação das listagens separando por composições mais eruditas, “pops”  e mais específicas para o período do Natal, em páginas “linkadas” com esta, que serão atualizadas à medida em que forem lançados CDs com faixas inéditas.

E, apenas como curiosidade, ou para eventual acompanhamento durante os concertos ao vivo ou assistindo-os em DVD, foram colocadas também algumas páginas com as letras das músicas que fazem parte do repertório de André Rieu, as quais recolhemos de vários sites da Internet.