As Duas Orquestras

 de André Rieu

Da Maastrichts Salon Orkest (1978/1996) à Johann Strauss Orkest 

Marjorie Rieu conta, em seu livro "André Rieu - Minha Música, Minha Vida", como André descreve os acontecimentos para a realização de seu sonho: formar a sua própria orquestra e rodar o mundo levando a música, a seu modo, a todas as pessoas, indistintamente.

"Desde meu casamento com a Marjorie, voltei a morar novamente em Maastricht.

No início de 1978, encontrei, por acaso, com uma antiga colega de conservatório, a violoncelista Gemma Serpenti; durante nossa conversa, ela contou-me que o diretor do conservatório tinha solicitado a ela que reunisse alguns músicos e formasse uma orquestra de salão - com seis componentes - dois violinos, uma viola, um violoncelo, um contra-baixo e um piano; era para tocar música leve em uma festa em sua casa.

Gemma tinha organizado a orquestra, a que deu o nome de "I Glissandi".

"Glissando"  é um termo usado em música, com o significado de "deslizar" por entre as notas, com um instrumento ou com voz; porém, quando este recurso é utilizado em excesso, o resultado é terrivelmente frustrante aos ouvidos; a orquestra "I Glissandi" significava, literalmente,"Os Deslizadores", porque somente houve tempo para apenas um ensaio antes da estréia.

Ocorreu, no entanto, que os músicos, em sua maioria ainda estudantes, ficaram tão motivados com aquela experiência, que decidiram continuar ensaiando juntos, mesmo depois da festa na casa do diretor; não havia outros concertos previstos, mas eles tinham adorado tocar juntos, e de vez em quando, traziam uma nova melodia para o seu repertório.

Já estavam com um repertório de 18 músicas, quando o primeiro violino conseguiu um emprego em Amsterdam; meu encontro com Gemma ocorreu exatamente no mesmo dia em que ele estava de mudança...apenas uma coincidência, ou... foi o destino?

Quem poderá dizer?

Gemma perguntou-me se eu estava disposto a substituí-lo; eu nem sabia o que efetivamente vinha a ser uma orquestra de salão, mas disse a ela que iria a um dos ensaios para ver do que se tratava.

Quando executamos a composição de F. Lehár "Gold und Silber" (Valsa Ouro e Prata), descortinou-se diante de mim um mundo inteiramente novo; fiquei literalmente encantado com o ritmo que, mais tarde, veio a ser virtualmente o ritmo da minha vida: o três por quatro... a valsa!

Aceitei imediatamente, e com entusiasmo, o lugar de primeiro violino na orquestra de Gemma.

Enquanto isso, já tinha conseguido um emprego na Orquestra Sinfônica de Limburg, e para completar... estava a caminho da paternidade, e como tal, não podia desperdiçar meu tempo com "hobbies"...

Assim, a "I Glissandi" precisava transformar-se em algo mais sério.

Nosso repertório expandiu-se; e o mais importante: se aquela orquestra era para continuar a existir no longo prazo, tínhamos de assumir determinadas premissas; o nome da orquestra já não nos servia mais, pois já havia transcorrido um longo tempo desde que "deslizar" era a nossa especialidade.

E assim, tornei-me não só o primeiro violino da orquestra, como irresistivelmente senti o impulso urgente para tornar-me também "o patrão", o que não foi necessariamente visto com bons olhos pelos demais músicos do grupo, mas depois de algumas dificuldades que todo conjunto profissional experimenta em seus primeiros passos, tudo caiu em seus devidos lugares.

Estava criada a "Maastrichts Salon Orkest", que existiu por quase 20 anos, e alguns dos músicos, com os quais toquei naquele início de carreira, ainda são grandes amigos meus."

(Alguns dos músicos que tocaram com André na I Glissandi e na Maastrichts Salon Orkest foram Gemma Serpenti, Henriette Janssen, Jean Sassen, Frans Vermeulen, Jô Hujts, Irene Houben, Tjeu Heyltjes, Klaartje Polman, Paul Coenjaarts e Pascal Vliegen).

E continua Marjorie:

"André criou sua primeira orquestra em 1978, a Maastrichts Salon Orkest, com a qual apresentou-se até 1996; a Johann Strauss Orkest (JSO) foi criada em 1987, coexistindo as duas orquestras por alguns anos.

Após sete ou oito anos apresentando-se com a sua primeira orquestra, André começou a pensar em  mudar um pouco a direção da sua carreira; talvez formasse uma orquestra maior...ou fizesse um tipo diferente de música...

Muitas idéias foram surgindo em sua mente e, pouco a pouco, anotadas no papel; diferentes formações foram sendo colocadas; consistiam, em  sua maioria, de instrumentos de corda.

Juntamente com seu pai, estudava cuidadosamente diversos repertórios, adequando-os a cada formação idealizada; em conjunto, analisaram composições eruditas, como as de Albinoni e Barber, Corelli, Handel  e muitos outros; por meses trabalharam sobre essas idéias, mas André procurava uma formação que reunisse a música erudita com a maravilhosa atmosfera dos concertos realizados com a sua orquestra de salão: algo semelhante a uma noite típica com a Maastrichts Salon Orkest, porém, maior, e com um repertório mais abrangente.

Tais planos ocuparam a sua mente por algum tempo, até que, através de conversas com um produtor, já seu conhecido, surgiu a grande idéia precursora da JSO atual.

Esse produtor disse a André que em uma recente viagem a Londres, havia conhecido uma pessoa que organizava "Noites de Strauss", com muito sucesso; incluía "ballet", vozes e orquestra; e tinha interesse em organizar algo semelhante na Holanda. Então perguntou-lhe se algo assim lhe interessaria, e disse-lhe: "Você poderia organizar uma orquestra e acompanhar aqueles bailarinos ingleses".

André, em princípio, relutou e disse-lhe não, pois a idéia não correspondia aos planos que vinham sendo acalentados havia tanto tempo.

Porém, a sugestão daquele produtor permaneceu em sua mente; a música de Strauss era maravilhosa; André sempre admirou suas valsas e ressentia-se do fato de não poder tocá-las com a orquestra de salão, formada por apenas cinco músicos.

A atmosfera vienense, plena de romance e elegância, na verdade cabia como uma luva no projeto que tinha formado em sua mente para a nova orquestra mas, acompanhar cantores e dançarinos a noite inteira?

Nem pensar!

Porém, juntos, continuamos a pensar naquela sugestão; e pouco a pouco fomos formando uma idéia concreta sobre o tipo de apresentação que desejávamos. 

Decidimos aceitar a proposta daquele produtor, sob determinadas condições: seria uma noite vienense, mas antes de tudo, um concerto, onde a orquestra é que seria a atração principal.

E assim, a "Noite de Strauss"  inglesa transformou-se em uma "Noite Vienense" holandesa, sendo que, além das valsas de Strauss, seriam apresentadas obras de outros compositores de alguma forma ligados a Viena, como Kalmán, Lehár, Stolz e outros.

André estava convencido de que seu público iria gostar desse repertório, e que poderia ser organizado um programa maravilhoso com tais melodias.

Em resumo: essa primeira tentativa resultou em uma produção anglo-holandesa, onde a responsabilidade pelo repertório e a orquestra cabia aos Rieu, e ao produtor em Londres, a parte referente aos cantores e ao ballet; o projeto recebeu o nome de "Viena, sempre Viena".

Mas, além de estar envolvido com a orquestra de salão, André ainda era integrante da Orquestra Sinfônica de Limburg, o que limitava bastante o tempo a ser destinado ao novo projeto; decidiu então, reduzir sua jornada de trabalho na orquestra sinfônica para meio período, e pode assim, iniciar a organização e os ensaios com a nova orquestra, formada por um grupo de doze músicos. 

Apesar das dificuldades iniciais, todos adoramos a experiência, tendo em vista o desafio de fazer algo novo, e tocar a maravilhosa música vienense; para nós, esta era a melhor parte; a que, realmente, importava.

Conseguimos organizar uma agenda para realização de vários concertos, na Holanda, Bélgica e Alemanha, e assim, a primeira turnê finalmente pode ser iniciada em  01 de janeiro de 1988, com a orquestra já batizada de "Johann Strauss Orkest", em homenagem àquele que, de fato, fez com que todos os nossos vagos planos iniciais fossem concretizados: o grande personagem do ritmo três por quatro, Johann Strauss Jr. em pessoa!

Conheça, com mais detalhes, a história das duas orquestras organizadas por André Rieu, no livro escrito pela esposa de André, Marjorie Rieu, o qual pode ser adquirido via Internet, em algumas lojas virtuais, e também no site oficial de André Rieu www.andrerieu.com.


Os músicos integrantes da Johann Strauss Orkest


Líder, primeiro violino e maestro:

André Rieu

Primeiro violinista

Jet Gelens - Frank Steijns - Lin Jong

Kremi Mineva - Freya Cremers - Diana Morsinkhof

Boris Goldenblank - Els Mercken

Vincenzo Viola - Lara Meuleman

Segundo violinista

Cord Meyer - Agnes Fizzano-Walter - Jennifer Kowalski

Viola de arco

Klaartje Polman - Pierre Colen - Linda Custers - Nadejda Diakoff

Violoncelo

Tanja Derwahl - Margriet van Lexmond - Hanneke Roggen

Joëlle Tonnaer - Karin Hinze

Contrabaixo

Roland Lafosse - Jean Sassen - Franco Vulcano

Piano de cauda

Stephanie Detry

Sintetizador

Ward Vlasveld

Oboé

Arthur Cordewener

Flauta

Teun Ramaekers - Nathalie Bolle

Trompete

Roger Diederen - René Henket

Clarinete/saxofone

Manoe Konings

Percussão/timbale

Marcel Falize - Mireille Brepols - Glenn Falize

Saxofone

Sanne Mestrom

Trombone

Ruud Merx

Trombone baixo/acordeão

Leon van Wijk

Trompa

Noël Perdaens

Baixo tuba

Ton Maessen

Coro

Nicolle Steins - Karin Haine - Judith Luesink

Kalki Schrijvers - Anna Reker

Solistas

Kimmy Skota - Carmen Monarcha - Carla Maffioletti

The Platin Tenors

Eventualmente, podem ocorrer alterações na formação da orquestra; na medida do possível, procuraremos manter essa informação atualizada.


O líder, André Rieu, e os integrantes da JSO na afinação de seus instrumentos antes dos concertos

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