A Carreira

(Do sonho de infância ao sucesso internacional)

A realização de um sonho

Marjorie Rieu descreve, por André, no livro "André Rieu - Minha Música, Minha Vida", a realização do sonho maior de sua vida: criar sua própria orquestra e viver da música, levando-a a seu público, ao seu jeito, bem como a sua trajetória de vida desde a infância até o ano de 1996.

O livro está disponível para venda através do site oficial, e também em outras lojas virtuais da Internet, que podem ser identificadas nos sites de busca.

Há também uma fita de vídeo VHS, disponível para venda no site oficial do André, “A Dream Come True”, onde ele discorre sobre sua carreira de uma forma muito comovente e interessante.

A Segunda Valsa: a primeira oportunidade de gravação de um disco na Carreira do André com a JSO – o ponto de partida para o sucesso.

(Relato do André, extraído do livro André Rieu – Minha Música, Minha Vida, escrito pela Marjorie Rieu; este é o título da versão do livro em inglês.)

“Não quero aborrecer meus leitores repetindo-me a todo momento, mas tenho de fazê-lo, se quiser lhes contar uma história, como realmente aconteceu.”

André se refere aos acontecimentos relativos à sistemática recusa das gravadoras em lhe dar uma oportunidade de mostrar seu trabalho e gravar um primeiro disco com a JSO.

Continua André:

“Minha odisséia através das gravadoras terminou em Hilversum, na Phonogram, onde o gerente de produtos Herman van der Zwam, após assistir a um dos meus concertos, de repente exclamou: É isso! Vamos gravar com este homem!

E um disco realmente foi gravado.
Finalmente, em agosto de 1994, um CD simples foi lançado contendo a Valsa nº 2, da Jazz Suíte nº 2, de Shostakovich, mais conhecida como A Segunda Valsa.

Logo depois saiu o álbum Strauss & Co (From Holland with Love).

E o que se seguiu foi uma surpresa atrás da outra.
A Segunda Valsa conquistou a Holanda praticamente da noite para o dia (diz-se que o toque do celular do André é um trecho da Segunda Valsa).

Permaneceu em várias paradas de sucesso, por meses a fio.

Foi inacreditável como uma comovente, magnífica valsa, parte de um concerto, uma peça clássica pura escrita por Dmitri Shostakovich estava lá no topo das paradas , ao lado de várias bandas “pop”.

A seguir, André, através do talento raro da Marjorie como escritora descreve os fatos subseqüentes que desencadearam a mudança radical de suas vidas e o desenrolar de sua carreira  a partir do sucesso da Segunda Valsa.

Resumindo, André conta que de repente choveram atenções; prêmios, honrarias, flores e até chocolates com seu nome.

Dúzias de entrevistas para jornais, rádios e TV.
Era convidado para apresentações em programas de TV, sozinho ou com a JSO.

Recebia convites para comerciais e convidado para participar de campanhas publicitárias.

Tinha se tornado um astro do dia para a noite; adorando as benesses da situação, mas também sofrendo com as conseqüências do sucesso repentino.

“O que aconteceu comigo desde a Segunda Valsa foi muito bem documentado, tanto pela mídia séria, como pela não tão séria, de forma que nada tenho a acrescentar.
Tudo isso mudou nossas vidas muito de repente.
Frequentemente as coisas fugiam ao nosso controle, e tínhamos de parar e retomar o controle da situação para termos certeza que ainda tínhamos os pés firmes no chão.

Meu sonho de criança tinha afinal se transformado em realidade – o sonho de um garotinho que queria muito estar sob os “spotlights” e tocar violino para muitas e muitas pessoas.
Sou verdadeiramente, um homem feliz!”


A Maastrichts Salon Orkest - MSO (1978 a 1996)

Neste pequeno trecho, com palavras de André Rieu, sua esposa Marjorie descreve a criação da MSO:

"Desde meu casamento com a Marjorie, voltei a morar novamente em Maastricht.

No início de 1978, encontrei, por acaso, com uma antiga colega de conservatório, a violoncelista Gemma Serpenti; durante nossa conversa, ela contou-me que o diretor do conservatório tinha solicitado a ela que reunisse alguns músicos e formasse uma orquestra de salão, com seis componentes, dois violinos, uma viola, um violoncelo, um contra-baixo e um piano; era para tocar música leve durante uma festa em sua casa.

Gemma tinha organizado a orquestra, a que deu o nome de "I Glissandi"

"Glissando"  é um termo usado em música, com o significado de "deslizar"  por entre as notas, com um instrumento ou com voz; porém, quando este recurso é utilizado em excesso, o resultado é terrivelmente frustrante aos ouvidos; a orquestra "I Glissandi" significava, literalmente, "Os Deslizadores", porque somente tiveram tempo para apenas um ensaio, antes da estréia.

Ocorreu, no entanto, que os músicos, em sua maioria ainda estudantes, ficaram tão motivados com aquela experiência, que decidiram continuar ensaiando juntos, mesmo depois da festa na casa do diretor; não havia outros concertos previstos, mas eles tinham adorado tocar juntos, e de vez em quando, traziam uma nova melodia para o seu repertório.

Já estavam com um repertório de 18 músicas, quando o primeiro violino conseguiu um emprego em Amsterdam; meu encontro com Gemma ocorreu exatamente no mesmo dia  em que ele estava de mudança.

Apenas uma coincidência, ou, foi o destino?

Quem poderá dizer?

Gemma perguntou-me se eu estava disposto a substituí-lo; eu nem sabia o que efetivamente vinha a ser uma orquestra de salão, mas disse a ela que iria a um dos ensaios para ver do que se tratava. Quando executamos a composição de F. Lehár" Gold und Silber" (Valsa Ouro e Prata), descortinou-se diante de mim um mundo inteiramente novo.

Fiquei literalmente encantado com o ritmo que, mais tarde, veio a ser virtualmente o ritmo da minha vida: o três por quatro, a valsa!

Aceitei imediatamente, e com entusiasmo, o lugar de primeiro violino na orquestra de Gemma.

Enquanto isso, já tinha conseguido um emprego na Orquestra Sinfônica de Limburg, e para completa. estava a caminho da paternidade, e como tal, não podia desperdiçar meu tempo com "hobbies".

Assim, a "I Glissandi"  precisava transformar-se em algo mais sério.

Nosso repertório expandiu-se; e o mais importante: se aquela orquestra era para continuar a existir no longo prazo, tínhamos de assumir determinadas premissas; o nome da orquestra já não nos servia mais, pois já havia transcorrido um longo tempo desde que "deslizar" era a nossa especialidade.

E assim... tornei-me não só o primeiro violino da orquestra, como irresistivelmente senti o impulso urgente para tornar-me também " o patrão", o que não foi necessariamente visto com bons olhos pelos demais músicos do grupo, mas depois de algumas dificuldades que todo conjunto profissional experimenta em seus primeiros passos, tudo caiu em seus devidos lugares.

Estava criada a "Maastrichts Salon Orkest", que existiu por quase 20 anos, e alguns dos músicos, com os quais toquei naquele início de carreira, ainda são grandes amigos meus."


A Johann Strauss Orkest (JSO), em atividade a partir de 1987: um pequeno relato sobre a história da JSO

O texto a seguir é apenas um resumo feito por mim da narrativa da Marjorie Rieu sobre a criação da atual orquestra de André, e não representa a tradução literal do texto escrito em seu livro.

"André Rieu criou sua primeira orquestra em 1978, a Maastrichts Salon Orkest, com a qual apresentou-se até 1996, sendo a Johann Strauss Orkest (JSO) criada em 1987; as duas orquestras coexistiram por alguns anos.

Após sete ou oito anos apresentando-se com a sua primeira orquestra, André começou a pensar em  mudar um pouco a direção da sua carreira; talvez formasse uma orquestra maior...ou fizesse um tipo diferente de música....

Muitas idéias foram surgindo em sua mente e, pouco a pouco, anotadas no papel; diferentes formações foram sendo colocadas; consistiam, em  sua maioria, de instrumentos de corda.

Juntamente com seu pai, estudava cuidadosamente diversos repertórios, adequando-os a cada formação idealizada; em conjunto, analisaram composições eruditas, como as de Albinoni e Barber, Corelli, Handel  e muitos outros; por meses trabalharam sobre essas idéias, mas André procurava uma formação que reunisse a música erudita com a maravilhosa atmosfera dos concertos realizados com a sua orquestra de salão: algo semelhante a uma noite típica com a Maastrichts Salon Orkest, porém, maior, e com um repertório mais abrangente.

Tais planos ocuparam a sua mente por algum tempo, até que, através de conversas com um produtor, já seu conhecido, surgiu a grande idéia precursora da JSO atual.

Esse produtor disse a André que em uma recente viagem a Londres, ela havia conhecido uma pessoa que organizava "Noites de Strauss", com muito sucesso; incluía "ballet", vozes e orquestra; e tinha interesse em organizar algo semelhante na Holanda. Então perguntou-lhe se algo assim lhe interessaria, e disse-lhe: " Você poderia organizar uma orquestra e acompanhar aqueles bailarinos ingleses".

André, em princípio, relutou e disse-lhe não, pois a idéia não correspondia aos planos que vinham sendo acalentados havia tanto tempo.

Porém, a sugestão daquele produtor permaneceu em sua mente; a música de Strauss era maravilhosa; André sempre admirou suas valsas e ressentia-se do fato de não poder tocá-las com a orquestra de salão, formada por apenas cinco músicos.

A atmosfera vienense, plena de romance e elegância, na verdade cabia como uma luva no projeto que tinha formado em sua mente para a nova orquestra...mas, acompanhar cantores e dançarinos a noite inteira?

Nem pensar!

Porém, juntos, continuamos a pensar naquela sugestão; e pouco a pouco fomos formando uma idéia concreta sobre o tipo de apresentação que desejávamos; decidimos aceitar a proposta daquele produtor, sob determinadas condições: seria uma noite vienense, mas antes de tudo, um concerto, onde a orquestra é que seria a atração principal.

E assim, a "Noite de Strauss"  inglesa transformou-se em uma  "Noite Vienense" holandesa, sendo que, além das valsas de Strauss, seriam apresentadas obras de outros compositores de alguma forma ligados a Viena, como Kalmán, Lehár , Stolz e outros.

André estava convencido de que seu público iria gostar desse repertório, e que poderia ser organizado um programa maravilhoso com tais melodias.

Em resumo: essa primeira tentativa resultou em uma produção anglo-holandesa, onde a responsabilidade pelo repertório e a orquestra cabia aos Rieu, e ao produtor em Londres, a parte referente aos cantores e ao ballet; o projeto recebeu o nome de "Viena, sempre Viena".

Mas, além de estar envolvido com a orquestra de salão, André ainda era integrante da Orquestra Sinfônica de Limburg, o que limitava bastante o tempo a ser destinado ao novo projeto; decidiu então, reduzir sua jornada de trabalho na orquestra sinfônica para meio período, e pode assim, iniciar a organização e os ensaios com a nova orquestra, formada por um grupo de doze músicos. 

Apesar das dificuldades iniciais, todos adoramos a experiência, tendo em vista o desafio de fazer algo novo, e tocar a maravilhosa música vienense; para nós, esta era a melhor parte; a que, realmente, importava.

Conseguimos organizar uma agenda para realização de vários concertos, na Holanda, Bélgica e Alemanha, e assim, a primeira turnê finalmente pode ser iniciada em  01 de janeiro de 1988, com a orquestra já batizada de "Johann Strauss Orkest", em homenagem àquele que, de fato, fez com que todos os nossos vagos planos iniciais fossem concretizados: o grande personagem do ritmo três por quatro, Johann Strauss Jr. em pessoa!


Um sonho transformado em realidade (“Een droom die uitkwamm”)

“Een droom die uitkwamm” é uma fita VHS onde André fala sobre sua carreira sua carreira até o ano 2000, quando o seu site oficial foi colocado na Internet.

São palavras muito sensíveis (a meu ver) de André, que estão no folder que acompanha o DVD “Dreaming”, lançado em 2001:

"Há muitos anos atrás, quando ainda garoto, eu costumava ficar de pé junto à janela, com meu violino, e sonhar que vivia em um mundo de contos de fada; permanecia imerso em meus sonhos românticos, olhando pela janela por horas a fio, com um grande sentimento de felicidade, e nesses momentos, improvisava doces melodias ao violino....

Em minha imaginação, a garota tímida do coro da igreja transformava-se em uma linda princesa, e eu galopava pelos campos junto com ela, em um cavalo branco, a caminho de um castelo mágico onde fazia serenatas para ela com o meu violino...

Bem, isto foi há muito tempo atrás; felizmente minha mãe costumava me chamar lá da cozinha: "André, você precisa estudar!",  trazendo-me de volta ao mundo real.... e das minhas escalas.

Hoje sou muito grato a ela por me chamar a atenção, pois, sem estudar, eu nunca me tornaria um violinista.

Mas permaneço um romântico; meu lugar favorito para exercitar-me ao violino ainda é a janela da sala de música, e tenho por hábito deixar minha imaginação voar livremente enquanto toco.

A música é tão poderosa, que nos permite escapar da vida cotidiana por alguns momentos...em direção a um outro mundo.

Então, acompanhe-me neste sonho maravilhoso!

Com amor,"